"O Barroco
Mineiro nasceu mestiço como seus criadores, filtrando influências de várias
partes de Portugal e do Brasil. Muitas vezes seu esplendor se esconde no
interior das pequenas igrejas de paredes de taipa, quadradas e brancas,
revelando-se com impacto quando se abrem as portas. É o que acontece, por
exemplo, na Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Sabará, ou na Capela do Padre
Faria, em Vila Rica, e em várias outras construções da primeira metade do
século XVIII".
(Saga: a grande História do Brasil. São Paulo:
Abril Cultural, 1981, vol. 2-p.127)
O Barroco, foi uma das formas de expressão
artística mais visíveis entre o século XVII e
a primeira metade do século XVIII, no Brasil.
O enriquecimento provocado pela mineração e a
forte religiosidade dos povos das minas,
favoreceram o desenvolvimento das artes em
Minas Gerais.
O barroco desenvolveu-se no Brasil ao lado dos
primeiros núcleos urbanos. As principais
manifestações dessa arte foram as construções
religiosas levantadas em Salvador e Recife.
Mas, o auge do barroco, manifestou-se nas
cidades mineiras do Ciclo do Ouro, como Ouro
Preto e Mariana.
A riqueza resultante da exploração do ouro na
região de Minas Gerais estimulou, em Ouro
Preto, o surgimento do maior conjunto de
arquitetura barroca do mundo e justificou o
tombamento da cidade como patrimônio nacional,
em 1933, e em patrimônio mundial, em 1980.
Apesar da influência inicial do Barroco
europeu, a arte barroca no Brasil assumiu
características próprias.
A arte barroca evoca a religião em cada
detalhe: altares, geralmente em madeira, expõe
ricos ornamentos espirais ou florais e é todo
entalhado com figuras de anjos e imagens
revestidas de uma fina película de ouro.
Santos em relevo se espalham pelas capelas da
nave central, e o teto, representando
geralmente um céu em perspectiva, que aumenta
a sensação de profundidade no ambiente.
A vida cultural nas Minas Gerais
desenvolveu-se principalmente em torno das
Igrejas e confrarias. Por essa razão, a
arquitetura, a escultura sacra e a música se
desenvolveram na região e deixaram importantes
registros do barroco brasileiro.
Na arquitetura, temos importantes construções
no estilo barroco, como a Igreja do Carmo, em
São João Del Rei e a Igreja de São Francisco
de Assis, em Ouro Preto. A arquitetura
não-religiosa também foi importante nessa
época, um exemplo é a cidade de Tiradentes.
Igreja de São Francisco de
Assis, em Ouro Preto.
Nesta obra, Aleijadinho trabalhou como
arquiteto e entalhador e Manuel da Costa
Ataíde pintou o teto da nave central.
Na escultura, as obras eram feitas geralmente
em madeira ou pedra-sabão, estavam ligadas à
religiosidade. Destaque para Aleijadinho, um
dos principais representantes do barroco
brasileiro. Escultor e arquiteto, Antônio
Francisco Lisboa, chamado de
Aleijadinho.
Na pintura, destacou-se Manuel da Costa
Ataíde. Ataíde criou seu próprio estilo,
utilizando-se de cores vivas, tropicais.
Pintou em suas obras figuras cordiais, mas um
tanto irreverentes. Sua obra de maior destaque
está no teto da nave da Igreja de São
Francisco de Assis, em Ouro Preto. Obra
realizada entre 1800 e 1809.
Representa uma Assunção de Nossa
Senhora, em que anjinhos mulatos
substituem os rosados querubins dos
modelos tradicionais europeus. A Virgem
Maria, também mulata, exibe os traços da
mulher que era companheira do pintor.
Na literatura, o barroco
expressou-se fortemente na poesia, que fazia
parte do cotidiano dos homens letrados da
época. Mas a maior parte dos poemas
caracterizaram-se como literatura oral, e eram
declamados em festas e ocasiões específicas.
Dentre os poetas barrocos destacou-se o baiano
Gregório de Matos e Guerra (1636-1695).